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Camilo Pessanha

Biografia | Obra: Queda

Biografia
Poeta português (Coimbra 1867 - Macau 1926). Em 1894, transferiu-se para Macau, onde, por três anos foi professor secundário de Filosofia, deixando de lecionar por ter sido nomeado em 1900 conservador do registro predial em Macau, depois seria nomeado juiz de marca. Levou uma vida de solitário excêntrico. Doente dos nervos, com antecedentes familiares patológicos, voltou a Portugal algumas vezes em busca de cura, mas, desiludido, retornou definitivamente a Macau em 1915.
Seus poemas, escritos em folhas soltas e oferecidos a pessoas amigas dispersavam-se ou chegavam mesmo a perder-se, sem que o autor se desse ao cuidado de guardar cópias. Entretanto, era capaz de reproduzí-los de memória quando desejasse. Assim, graças a João de Castro Osório, a quem ditara as suas produções, foi impresso o volume Clepsidra (1920), com alguns poemas já publicados em revistas, mas, na maioria, ainda inéditos. Depois da segunda edição de sua obra (1945), outros inéditos surgiram. Influenciado, a princípio, por Cesário Verde e Verlaine, tornou-se o mais puro dos símbolos portugueses. É patente sua influência na poesia moderna portuguesa, principalmente no lirismo de Fernando Pessoa, que o admirava. Postumamente, foram editados ensaios do autor sobre literatura e civilização chinesas (China, 1944)

Queda


Camilo Pessanha

O meu coração desce,
Um balão apagado.
Melhor fora que ardesse
Nas trevas incendiado.
Na bruma fastidienta...
Como á cova um caixão.
Porque antes não rebenta
Rubro, n’uma explosão?
Que apego inda o sustem?
Atono, miserando.
Que o esmagasse o trem
De um comboio arquejando.
O inane, vil despojo.
Ó alma egoísta e fraca...
Trouxesse-o o mar de rojo.
Levasse-o na ressaca.

 

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