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Mário de Andrade

Biografia | Obra: Ode ao Burguês | Obra: trecho do livro "Vestida de Preto"

Biografia
Mário Raul de Moraes Andrade nasceu em 1893 em São Paulo e aí morreu em 1945. De formação musical, tendo sido professor de piano, foi um pesquisador incessante, interessando-se pelas mais variadas manifestações artísticas.
Estudou e escreveu sobre folclore, música, pintura, literatura, tendo sido um dos mais dinâmicos batalhadores pela renovação da arte brasileira. Por seu espírito crítico e ativo exerceu uma influência decisiva no desenvolvimento do movimento modernista.
De sua obra literária destacam-se os seguintes livros:

Ode ao Burguês


Mário de Andrade

Eu insulto o burguês! O burguês-níquel
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! O homem-nádegas!
O homem que, sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!

Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! Os condes Joões! Os
duques zurros!
Que vivem dentro de muros sem pulos,
e gemem sangue de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o
francês e tocam os “Printemps” com as unhas!

Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das
tradições!
Fora os que algarísmam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol, Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o êxtase fará sempre Sol!

Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais!
Morte ao burguês-mensal!
Ao burguês-cinema! Ao burguês-tiburi!
“- Ai filha, que te darei pelos teus anos?
- Um colar... - Conto e quinhentos!
Mas nos morremos de fome!”

Come! Come-te a ti mesmo, oh gelatina pasma!
Oh purê de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! Oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados.
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempre eternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eía!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a central; do meu rancor inebriante!

Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio, fundamento sem perdão!

Fora! Fu! Fora o bom burguês!...

 

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trecho do livro "Vestida de Preto"


Mário de Andrade

"... Maria foi meu primeiro amor. Não havia nada entre nós, está claro, ela como eu nos seus cinco anos apenas, mas não sei que divina melancolia nos tomava, se acaso nos achávamos juntos e sozinhos. A voz baixava de tom e principalmente as palavras é que se tornaram mais raras, muito simples. Uma ternura imensa, firme e reconhecida, não exigindo nenhum gesto. Aquilo, aliás, durava pouco, porque logo a criançada chegava. Mas tínhamos então uma raiva impensada dos manos e dos primos, sempre exteriorizada em palavras ou modos de irritação. Amor apenas sensível naquele instinto de estarmos sós..."

 

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bibliografia: